06 maio 2017

Crítica | Sense8: A segunda temporada é um tiro certeiro da Netflix


Ousadia e pretensão marcaram a segunda temporada de Sense8

Fazer a segunda temporada de uma série nunca é fácil, principalmente quando levamos em conta a expectativa dos fãs. A Netflix sempre foi conhecida pela sua ousadia em suas produções, seja mostrando problemas que acontecem em nossa sociedade, ou até mesmo dando tapa na cara com a forma que passa isso aos seus expectadores. Imagina tudo isso em apenas uma série. Assim foi feito na segunda temporada de Sense8.

A primeira temporada focou muito no desenvolvimento dos personagens. Fomos apresentados as suas vidas e a descoberta do que eles eram, o que deixou os primeiros episódios muito intrigantes, mas isso foi superado na season finale da primeira temporada. Nesta segunda, o desenvolvimento dos personagens faz você ficar conectado com eles, como em toda série tivemos o grande vilão, mas ele não foi o foco principal, já que o crescimento dos atores em seus personagens foi evidente. 

Sense8 agora ressalta a ficção e a ciência lado a lado, explorando a origem do sensates (cientificamente chamados de "homo sensorial"). Ao decorrer dos episódios somos apresentados a história de Angelica (Daryl Hannah) e Jonas (Naveen Andrews), descobrimos o primeiro grupo de filhos do casal, e sua ligação com a terrível companhia Biologic Preservation Organization (BPO). 

As conversas entre Sussurros (Terrence Mann) e Will (Brian Smith), que foi "conectado" ao vilão na season finale anterior, nos apresenta ótimos diálogos e uma tensão entre mocinhos e vilão que acaba levando a uma guerra entre os sensates e a BPO. Mann soube desenvolver muito bem seu personagem, tendo um cargo muito mais seguro dentro da companhia, o vilão soube "aterrorizar" a cada segundo. 


Vemos Lito (Miguel Ángel) enfrentar as consequências por ter se revelado gay, e nos mostra uma sociedade em que ainda existe grande preconceito quando falamos sobre a comunidade LGBT. Sun (Bae Doona) tendo que escolher se deixa ou não seu irmão viver. Kala (Tina Desai) não tem um grande destaque pessoal nesta temporada, vemos que a família de seu marido não é bem-vinda em seu país e que isso gerou inimizades por parte de seu povo, mas isso gerou um espaço em branco, que esperamos que possa ser mostrado na próxima temporada.

Ação e cenas de sexo hardcore são atributos que marcaram a primeira temporada, porém nesta temporada tivemos poucos momentos assim, mas os momentos não deixaram a desejar. Vemos Capheus (Toby Onwumere) entrar na política para lutar por melhores condições para o seu povo e ainda desenvolver um relacionamento com uma jornalista. Wolfgang (Max Riemelt) despertar o interesse amoroso em uma outra sensate, ambos participam de um grande tiroteio, uma cena que é digna de palmas.

No início temos uma visão de Riley (Tuppence Middleton) apenas como cuidadora de Will, mas ao decorrer dos episódios vemos a personagem se arriscar indo até Chicago aonde encontrou outro sensate que lhe mostrou o caminho para obter mais respostas. Nomi (Jamie Clayton) teve um grande destaque nesta temporada, vemos a hacker se aliar aos anonymous, e se arriscar cada vez mais para proteger seus amigos. Um dos grandes méritos dos roteiristas foi dar espaço aos coadjuvantes, Daniela (Eréndira Ibarra) e Amanita (Freema Agyeman) brilharam em seus papéis, Amanita, principalmente, foi fundamental na ligação de Nomi com os outros. Bug (Michael Sommers), o hacker amigo de Nomi, teve uma boa participação no decorrer da trama.


Medo, humor, drama e raiva, são elementos que deram vida ao sucesso desta temporada. A junção destes sentimentos, nos traz a sensação de tristeza e alegria de cada episódio, conseguimos sentir realmente o que se passa naquele lugar. Sense8 este ano trouxe grandes marcos. Muitos capítulos emocionarem por trazerem grandes lições, geralmente ligados a aceitação e respeito. 

A sincronização entre os oito personagens continua perfeita, a Netflix parece não ter tido problema algum neste quesito. A trilha sonora continua impecável, principalmente quando a música What's Up (4 Non Blondes) entra em ação. 


Sense8 mostrou que a segunda temporada pode surpreender bem mais que a primeira. Se já não bastava esperar quase dois anos para a estreia da segunda temporada, imagina a agonia que iremos ficar pelo anúncio oficial da terceira temporada. Tivemos muitas respostas nesta temporada, mas isso nos dá uma certeza: algo muito maior está por vir no decorrer desta série. Como diria o Policial de Chicago Will: "Você ama seu mundo, não é? Pois eu vou foder o seu mundo!". Que a curiosidade não nos mate antes de vermos a terceira temporada.


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