08 maio 2017

Crítica | "Dear White People": os opostos racismo e militância em uma série importante


Antes mesmo de estrear na Netflix, Dear White People já estava causando polêmica na internet. Isso tudo por causa de um teaser de 30 segundos em que..... nada demais acontece! Sério, eu realmente não entendi o motivo de todo esse alarde e boicote ao seriado, mas vamos lá para minha opinião.

Dear White People, ou Cara Gente Branca em português, é um seriado derivado de um filme de mesmo nome que foi lançado em 2014. O mesmo diretor do longa resolveu escrever e dirigir, em novo formato, a comédia-dramática com tons de militância. Basicamente o enredo gira em torno do que aconteceu antes e depois de uma festa de Halloween em que pessoas brancas se fantasiaram de negros. Depois disso, a universidade começou a ter uma onda de protesto contra a utilização de blackface.

Com ironia e sarcasmo, Dear White People expõe atitudes racistas em todo o campus da universidade. Além disso, denuncia o comportamento indevido da polícia norte-americana que é conhecida por assassinar negros apenas por serem negros. Infelizmente não é uma coisa que acontece apenas no Estados Unidos, no Brasil é mais comum do que parece.


Apesar dos argumentos muito bem fundamentados que embasa todo o movimento negro da universidade, os estudantes ainda utilizam de muitos elementos da cultura pop o que deixa a série ainda mais interessante. Game of Thrones, Tarantino, Beyoncé, Kanye West, Frank Ocean, DeRay Mckesson, Malcom X, são exemplo de nomes conhecidos e que são citados constantemente durante a série (seja falando bem ou falando mal).

Se engana quem pensa que "Cara Gente Branca" é ácida apenas com os brancos que são privilegiados. Com uma dose de humor, o seriado instiga também militantes negros. Aqueles que sempre optam por atitudes extremistas ao invés do diálogo ou ainda aqueles que só sabem fazer textão no Facebook.



Um dos episódios mais pesados, o quinto, foi dirigido por Barry Jekins que é o diretor de Moonlight, longa que ganhou o Oscar de Melhor Filme esse ano e que retrata a vida de um protagonista negro que vive no gueto. Talvez a série tenha chamado tanta a atenção por retratar a realidade. Por retratar como os negros foram e são tratados na sociedade ainda hoje. Como a polícia é, em muitos casos, racista. Como movimentos tipo "Black Lives Matter" se fazem mais importantes a cada dia que passa. Uma série que, com um tom de humor, passa uma mensagem que, infelizmente, não foi interpretada corretamente por algumas pessoas que tentaram boicotar o show.

Encerro essa crítica de uma forma diferente, não dando uma nota e sim mostrando para todos aqueles que pensaram em boicotar a série, o quão importante é ter um programa como esse. É empoderador! Retirei algumas mensagens numa rede social, e isso vale mais que qualquer nota que eu poderia dar para essa série.


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