11 abril 2017

Precisamos falar sobre suicídio: por que a série "13 Reasons Why" conseguiu ser tão impactante?


É preciso romper o silêncio: o impacto da depressão e suas graves consequências

Há uma grande discussão quando falamos sobre depressão na adolescência. De acordo com a Organização Mundial da Sáude (OMS), na última década, a taxa de brasileiros que tiram a própria vida cresceu mais de 40% entre pessoas de 15 a 29 anos. Mesmo o assunto tendo uma grande repercussão na última semana, ainda é um tabu a ser quebrado na nossa sociedade. Muitas pessoas acham que depressão na adolescência é somente uma fase e que não há com o que se preocupar, ai se encontra o maior erro, às vezes o final é bem pior do que possamos imaginar.

A adolescência pode ser a fase mais divertida de toda a vida, mas para alguns pode vir a ser a mais conturbadora. Diariamente vemos relatos sobre jovens que tentam tirar a própria vida, seja por falta de atenção, pela falta de presença dos pais, ou até mesmo por acharem que ninguém se importa. Inevitavelmente vemos um filme da nossa adolescência passar pela cabeça, como quando você fez comentários maldosos sobre alguém ou foi vítima deles, ou não se encaixa em nenhum dos casos, mas já presenciou alguma situação relacionada. 

13 Reasons Why é uma série de produção da Netflix que gerou uma grande repercussão quanto ao seu conteúdo. Hannah é uma adolescente comum dos EUA e vítima de problemas mais comuns do que gostaríamos: bullying, machismo, assédio, depressão, e muitos outros que vemos ao decorrer da série. Se você foi ou é um adolescente com problemas parecidos vai saber da importância de procurar ajuda. Psicólogos e terapeutas são meios que podem ajudar a combater tais sentimentos.
  


Conversamos com a Denise Teixeira que é graduada em Psicologia e especializada em saúde mental e atendimento clínico psicanalítico. Atua em grupos e oficinas terapêutico, e acompanhamento de pacientes em situação de crise. Denise nos fala sobre a melhor forma de abordar o assunto e como é importante as escolas serem uma porta de entrada: "A adolescência, é uma fase de intensas mudanças. O adolescente encontra-se em transição e a sensação de inadequação, é uma constante deste período. A atividade escolar é tomadora de grande parte do tempo do adolescente. Pensando nesse aspecto, este local é importante porta de entrada para abordar o assunto. Não necessariamente, é necessário falar sobre suicídio, mas de suma importância, criar um espaço para que os jovens falem sobre seus sentimentos.” completou a especialista.   

Quando falamos sobre os fatores que podem levar a isso, a especialista nos afirma que muitas questões somadas, podem culminar tal ato: “Podemos destacar: Depressão, problemas familiares, envolvimento com drogas, bullying, insegurança, baixa auto-estima, falta de amigos, descriminação social ou racial, dificuldades impostas pela sociedade, sentimentos de abandono e experiências de abuso físico ou sexual e desesperança no futuro.” 



Há um grande debate quando falamos sobre depressão na adolescência e como isso é um tabu na sociedade. A especialista fala da importância do assunto e também que isso está presente em todas as classes sociais: “A sociedade geralmente, não aceita a idéia de que crianças e adolescentes queiram tirar a própria vida, e mesmo as classes mais instruídas, apresentam dificuldades em falar sobre esse assunto. É necessário romper o silêncio, pois os dados mostram aumento significativo da taxa de suicídio nessa idade. É necessário falar sobre esse assunto, criar rodas de conversa, promover espaços onde esses sentimentos possam ser verbalizados e observados”.

“O profissional, também deve fazer um contrato verbal com o paciente pedindo que mediante qualquer ideação, que entre em contato com o especialista. Manter uma atitude não julgadora, desenvolvendo a escuta atenta sobre os problemas e angústias do adolescente, sem diminuir ou banalizar tal sentimento, ressalta esperança e possibilidade de melhora.” Finalizou a psicóloga. 

Com tudo isso temos uma reflexão sobre os nossos próprios atos. Devemos nos colocar no lugar de quem sofre, e também sermos combatentes, seja agressão física, verbal, ou psicológica. Que tenhamos clareza e discernimento para saber a importância de uma palavra amiga, e para quem sofre de tais problemas, saibam que jamais estarão sozinhos. 

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