19 abril 2017

Crítica | “Bubble Gum”: imoralidade, crítica à classe alta e um pouquinho do clichê entre o bem contra o mal



Olá, galera! Tudo bem com vocês?
Hoje trago a resenha de um livro que me despertou inúmeros sentimentos e sensações, além da necessidade de falar do mesmo de forma clara e objetiva, se é que isso é possível. Afinal, Bubble Gum não é uma obra muito fácil de ser lida, compreendida e comentada. Porém, ao meu ver é de extrema importância para os leitores que gostam de aprender com as vivências dos personagens, além de construir fortíssimas críticas sociais.

O livro traz narrativa intercalada entre dois personagens, são eles: Manon e Derek. Manon é uma jovem que vive no sul da França, porém considera o local onde mora desprezível e resolve se mudar para Paris; a garota deseja com todas as forças se tornar uma grande atriz, e assim, viver inúmeras vidas através dos vários personagens que irá interpretar. Visando isso a jovem se mostra capaz de TUDO. Em contrapartida, conhecemos Derek Delano, um herdeiro de uma multinacional de petróleo, excêntrico e com prazer insano em fazer jogos cruéis com as pessoas que se aproximam dele visando algum proveito. Derek me pareceu o típico personagem amargurado, que aprendeu com o tempo e as decepções a ser de fato uma pessoa fria, calculista e sem limites quando o assunto é machucar os outros.

Já foi mencionado, mas é importante enfatizar, que os capítulos são narrados de forma intercalada por Manon e Derek, o que é realmente muito bacana, pois em certo momento da história os capítulos trazem o ponto de vista de cada personagem sobre a mesma coisa, mas com perspectivas diferentes.

Bubble Gum
escrito por Lolita Pille

Editora: Intrínseca
Páginas: 267
Ano: 2004

Segundo romance de Lolita Pille, polêmica autora de Hell, combina assim dois temas clássicos da literatura: o da incoerência ultrajada e o do pacto faustiniano com o mal. Manon, 21 anos, entrega sua alma - e também o seu corpinho, naturalmente - a Derek, em troca do brilho enganoso dos refletores. Mas, como em seu romance de estréia, Lolita Pille constrói uma narrativa mais complexa do que parece, avessa a clichês e permeada por uma crítica sutil aos valores da sociedade contemporânea. 

Em relação a escrita da autora, ela é extremamente ácida. Como assim Renato? Bem, ela não poupa o leitor de nenhum detalhe por mais sórdido que seja, fazendo com que o mesmo se sinta ligado a cada vivência dos personagens, por mais desagradável que ela seja.

Não é tão difícil imaginar o que vai acontecer, não é mesmo? Manon e Derek se conhecem. A jovem vê no magnata a oportunidade de conquistar o que tanto deseja: fama, dinheiro, além da oportunidade de poder finalmente encarnar várias pessoas em uma só vida. Derik por sua vez, encontra na jovem a presa fácil para seus jogos.

A relação presente nesses dois personagens em nenhum momento se torna um romance, pelo contrário, ambos despejam o pior de si um no outro, porém com o tempo notamos que um lado é pior que o outro...

Enfim, deste momento em diante a história se torna bastante insana, porém sem perder os elementos realísticos. Não é nada fácil confessar, mas é impossível não se identificar um pouquinho com cada personagem, com a forma como muitas vezes eles se perdem facilmente sem nem ao menos perceber. Claro, talvez não sejamos tão vulneráveis ou imorais como Manon e Derek, mas em determinadas passagens do livro me vi concordando com alguns de seus pensamentos, e acredito que talvez não tenha sido o único; mesmo que em outros momentos tenha os criticados, como loucos, e demais adjetivos pejorativos.

Recomendo esse livro para todos! Aviso de antemão que não será uma leitura fácil. Porém, Bubble Gum é uma obra rodeada de críticas e que nos faz perceber o quanto podemos ser imaturos, ingênuos, gananciosos, cruéis e desumanos. O livro tem suas falhas, principalmente nas ultimas páginas, quando a autora tenta adicionar um novo gênero a história, mas em nenhum momento Lolita Pille perdeu o foco real do drama, que é bombardear o leitor com críticas reais, necessárias, mas que muitas vezes preferimos ignorar.




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