13 janeiro 2017

Crítica | "Passageiros" é uma ideia genial que não foi bem executada


Após muita polêmica envolvendo "Passageiros", do diretor Morten Tyldum, resolvi assistir o filme e tirar minhas próprias conclusões. A premissa é bastante interessante e consegue, inicialmente, prender a atenção dos telespectadores. Jim Preston (Chris Pratt) mais milhares de passageiros estavam hibernados durante uma viagem espacial de 120 anos e, teoricamente, as pessoas a bordo só acordariam quando faltasse quatro meses para chegar ao planeta-colônia. No entanto, devido falhas técnicas, a cápsula de Jim se abre 90 anos antes do esperado e ele é obrigado a viver sozinho naquela imensa aeronave e ver sua vida se passar sem poder fazer nada para reverter.

Até então estava tudo bem, mas a polêmica começa quando o personagem principal decide acordar Aurora Lane (Jennifer Lawrence) que, sem ter escolhas, perderia sua vida dentro da aeronave junto com Jim durante os aproximados 90 anos que ainda faltavam de viagem. Para muitos essa atitude foi bastante sexista, inclusive você pode ler essa crítica aqui, do site Cinema em Cena, que explica alguns motivos e cenas que desqualifica o filme. 


Passageiros (2016)
Passengers (título original)

Diretor: Morten Tyldum
Roteirista: Jon Spaihts
Atores: Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen...

Dois passageiros acordam 90 anos antes do tempo programado durante uma viagem de rotina no espaço devido a um mau funcionamento de suas cabines. Sozinhos, Jim e Aurora começam a estreitar o seu relacionamento. Entretanto, a paz é ameaçada quando eles descobrem que a nave está correndo um sério risco…


Analisando de uma forma mais técnica e deixando a polêmica machismo x egoísmo de lado, o diretor consegue representar muito bem (com exceção de poucas cenas) o quão solitário pode ser passar todo esse tempo naquela gigantesca nave. Acho que as sequências de câmera e a trilha sonora consegue mostrar a grandiosidade do espaço. Além disso, os efeitos especiais estão realmente bons. Vale destacar uma cena em que o sistema entra em pane e toda a gravidade dentro da nave acaba, os personagens e objetos começam a flutuar (inclusive a água da piscina), mas alguns segundos depois volta ao normal e todos despencam no chão.


Ademais, o filme ainda apresenta alguns outros pontos negativos que, com toda certeza, pode afetar na sua bilheteria final. A escolha do roteirista Jon Spaihts em deixar a ficção científica como plano de fundo de um romance forçado e mal estruturado, faz com que muitos telespectadores (amantes do bom e velho Sci-fy) se sintam decepcionados. A história que até certo ponto parecia original, se perde em clichês de blockbusters e técnicas hollywoodianas ao invés de inovar e apresentar um filme original (já que inicialmente o roteiro teria esse potencial). Em síntese, a ideia era genial mas não foi bem executada. Poderiam explorar mais em todas as dificuldades em ficar sozinhos naquele espaço, no passado dos personagens e, principalmente, na ficção científica.

Apesar de tudo, a dupla de atores principais consegue se sair muito bem, mesmo o roteiro não ajudando. Jennifer Lawrence, com toda sua experiência dramática, se destaca com uma atuação que me agrada muito. No entanto, se melhor escrito, o roteiro poderia aproveitar muito mais da atriz ao aprofundar na história da personagem Aurora que, assim como a princesa da Disney de mesmo nome, se saiu como uma personagem passiva e vitimada.


No geral, Passageiros é um filme regular mas não apresenta nada de novo. Pode ser usado como um bom passatempo, principalmente para os fãs dos atores. Para aquele que pensa em assistir pela ficção científica, provavelmente ficará um pouco desapontado por alguns furos, mas nada que estrague totalmente a experiência de curtir o longa. Eu, como um grande admirador da Jennifer Lawrence, fiquei feliz em ver a atriz dando um show de atuação em mais um filme que, mesmo com muitos problemas técnicos, pode ser uma diversão mediana.


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